Sal ou açúcar, saiba qual o maior vilão para a sua dieta

O sal e o açúcar são praticamente indispensáveis para realçar o sabor dos alimentos, porém, utilizados em excesso também podem causar problemas sérios à saúde. Aumento da pressão arterial, obesidade, diabetes e retenção de líquidos são apenas algumas complicações ligadas ao consumo exagerado. Como qualquer ingrediente, basta ser consumido com moderação para uma alimentação mais equilibrada e saudável.

açucar e sal

O sal.

O brasileiro ingere mais do que o dobro do recomendado de sal: 11 gramas por dia. O ideal, segundo a OMS, seria até 5 gramas. Para diminuir o uso, cidades como Porto Alegre já adotam medidas mais drásticas. Vereadores da Capital aprovaram, na última segunda-feira, projeto de lei que proíbe o saleiro ou envelopes com o produto nas mesas de bares e restaurantes. O texto ainda aguarda sanção do prefeito José Fortunati, mas os gaúchos não são os primeiros a terem de retirar o saleiro da vista do consumidor. O Espírito Santo, em 2015, sancionou uma lei estadual que estipula multa de R$ 1,3 mil para os estabelecimentos que a descumprirem.

“O excesso pode provocar aumento de retenção de líquidos no organismo e hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, predispor AVC e infarto do miocárdio”.

Um dos principais problemas que levam ao consumo excessivo de sal é a falsa sensação de que o uso está sob controle. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde da pesquisa Vigitel 2014 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), a maior parte dos brasileiros acredita que faz uso moderado ou baixo de sal, mesmo que as informações da OMS provem o contrário.

É claro, o corpo precisa de sal para funcionar. Na quantidade ideal, o sódio é essencial para manter o equilíbrio de funções do organismo, inclusive o funcionamento renal, e mantém água e nutrientes dentro das células. O sódio presente na corrente sanguínea é um dos elementos que regulam a quantidade ideal de água fora das células para não sobrecarregar os vasos. Desta forma, a manutenção da pressão arterial ideal também é uma função do sódio.

O grande problema é que estamos perdendo o controle. Nos alimentos industrializados, naquela pitadinha a mais para temperar a salada. O limite pode ser excedido em poucas refeições e está escondido em rótulos de alimentos difíceis de decifrar.

É quase impossível ter uma dieta com uma quantidade menor de sal do que o organismo precisa, alertam os especialistas. Os alimentos consumidos no dia a dia, como pães e verduras, já contêm o sódio. Por isso, é preciso manejar o saleiro com cuidado.

Quando se tem uma alimentação variada, com bastante frutas, verduras e legumes, não é preciso adicionar o sal na alimentação. O sódio já está presente nos alimentos naturais

No açucareiro, o prazer viciante

Se fosse comparar o açúcar com outra substância, o endocrinologista pediátrico Robert Lustig escolheria a nicotina.

– É viciante. Não como heroína, mas como a nicotina. Porém, se você não sabe onde está o açúcar, como vai parar de consumi-lo? – questiona.

O pesquisador da Universidade da Califórnia, em São Francisco, está há anos em uma cruzada contra o consumo excessivo de açúcar e a indústria de alimentos que, segundo ele, lucram com esse vício. Para o autor do livro Fat Chance: The Bitter Truth About Sugar (em tradução livre, Sem chance! A verdade amarga sobre o açúcar), um dos principais problemas é que não sabemos como e quanto comemos do produto por causa das confusas tabelas nutricionais dos alimentos. Ele revela que há cerca de 50 nomes diferentes para o açúcar, que são mascarados nos rótulos. Para Lustig, os problemas relacionados ao açúcar não se restringem à obesidade – o diabetes, sim, seria o principal. Ainda assim, em um de seus estudos publicados na revista científica Obesity, em 2015, ele comprovou que o açúcar pode contribuir para a hipertensão e para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Crianças, ao subsistirem o uso de açúcar por alimentos com amido, não perderam peso, mas o quadro clínico relacionado a doenças metabólicas apresentou melhoras.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os brasileiros consomem cerca de 50% a mais do que a quantidade ideal. Assim como o sal, o açúcar é usado em grandes quantidades para adicionar sabor, além de servir como conservante.

– O açúcar em excesso contribui para o que é chamado de efeito pró-inflamatório nas paredes dos vasos sanguíneos, que facilitam o acúmulo de gordura, o que eventualmente, pode culminar em um infarto. Além disso, piora o funcionamento do pâncreas – alerta Luiz Bortolotto, cardiologista e diretor da Unidade Clínica de Hipertensão do Incor, da USP.

Para o médico, as fontes de açúcar naturais são benéficas para o organismo, como as frutas, que contêm frutose.

Os grandes vilões são os alimentos açucarados artificialmente e produtos industrializados. Além disso, quando comemos pães e massas, os carboidratos, quando digeridos, transformam-se em açúcar dentro do organismo.

– O açúcar, por exemplo, é adicionado para fazer o pão crescer, junto ao o fermento. Quando consideramos tudo isso, mais o açúcar que colocamos no café, ou no chá, tranquilamente ultrapassamos o valor ideal por dia – diz Bárbara Riboldi, nutricionista e mestre em epidemiologia com foco no diabetes.

A quantidade ideal de açúcar por dia, segundo a OMS, seria de 50 gramas – ou até 10% das calorias ingeridas –, mas no ano passado, a recomendação sugere que o melhor mesmo para a saúde deveria ser metade disso, ou seja, 25 gramas. Uma latinha de refrigerante, por exemplo, tem, em média, 37 gramas. Lustig acredita que o consumo de 50 gramas seria condizente com a realidade da população:

Afinal, algum é menos pior?

Em excesso, os dois fazem mal. Não se pode medir e comparar os malefícios de uma dieta com quantidades acima das recomendadas de sal e açúcar. Porém, os especialistas acreditam que o açúcar está ainda mais escondido nos alimentos, especialmente, nos processados. E, para piorar, causa maior dependência.

– Hoje em dia, o açúcar é mais visto como um vilão do que o sal. As pessoas se excedem mais no açúcar. Além disso, a substância tem uma associação com um comportamento de vício, já que o consumo libera hormônios vinculados ao bem-estar. O açúcar também está mais relacionado ao ganho de peso e às epidemias como a obesidade – diz a nutricionista Bárbara Riboldi.

Mônica Jorge, também nutricionista, avalia que, mesmo que em quantidades adequadas o açúcar não seja um veneno. De qualquer forma, ele é pobre em valor nutricional.

– Não precisamos consumir muito sal, mas o produto carrega iodo, que é necessário para o bom funcionamento da tireoide, por exemplo. O açúcar não traz nada, não é importante, a não ser para fornecer energia e calorias. Não há outro nutriente dentro. Lógico que tem papel na culinária, mas é bastante dispensável – argumenta.

Fonte: Bem Estar